Animais vítimas de abandono em Tietê

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Animais vítimas de abandono em Tietê
Foto: Miriã Santos

Animais vítimas de abandono em Tietê


Quem nos recebe para contar mais sobre o projeto é a Miriã Gerci dos Santos Ciconelo, de 25 anos, casada, formada em Gestão Financeira e fotógrafa. Logo na entrada da sua casa, já é possível perceber a seriedade com que ela leva seu trabalho voluntário com animais de rua, pois, somos recebidos por 13 lindos cachorros, com o pelo brilhando e cheios de energia. Miriã tem ainda 6 gatos em casa e 9 no gatil, que ainda serão doados.
O nome da página no Facebook – Animais vítimas de abandono em Tietê-SP – já deixa bem claro o objetivo das protetoras que se uniram na cidade em prol a causa animal. Atualmente, o grupo tem por volta de 12 integrantes, que antes de se conhecerem já atuavam individualmente em Tietê. Aos poucos, uma tomou conhecimento do trabalho realizado pela outra e elas decidiram unir forças.
As protetoras criaram a página no Facebook para pedir ajuda com castrações, medicamentos, ração e, ainda, para servir como um canal de comunicação com a população, a fim de divulgar animais perdidos e para doação. Miriã conta também outra conquista das protetoras “juntamente com o prefeito, conseguimos criar o Conselho Municipal de Proteção aos Animais, que trata de leis, multas, melhorias para o canil e fiscalização”, relata.
Como elas mesmas dizem, o trabalho realizado é de ‘formiguinha’, nunca acaba. Os objetivos do grupo são a castração, atender animais debilitados, cadelas e gatas em período fértil e aqueles que realmente não têm dono.
Geysiane Collodetti, outra protetora do grupo, explica: “somos independentes, não possuímos local próprio para abrigar animais resgatados, então, sempre abrigamos em nossas casas. Todos os gastos que temos são custeados com vendas de camisetas, bazares da pechincha, rifas e, na maioria das vezes, acabamos tirando do nosso próprio bolso”, revela.
Após o resgate e os cuidados necessários, as protetoras começam a campanha para que o animal seja doado, fotos e informações são divulgamos na página do Facebook e, às vezes, em jornais da cidade. “Quando alguém se interessa pelo bichinho, pesquisamos sobre a pessoa com vizinhos, conhecidos, verificamos nossa lista negra de adotantes e trocamos informações com protetores de Cerquilho da Avac e do AdotAnimal”, explica Miriã. Se a pessoa for uma boa adotante, o animal é entregue à família, com as devidas orientações sobre castração e cuidados e o processo de adaptação é acompanhado.
As protetoras informam que em caso de denúncia de maus tratos a animais, a população deve entrar em contato com a Zoonoses ou com a Vigilância Sanitária. E reforçam que o trabalho realizado por elas é totalmente voluntário, “as pessoas confundem nosso amor pelos animais como uma obrigação nossa. É muito comum chegarem com um animal até um protetor como se ele tivesse a obrigação de acolher e atender, isso não é verdade, todas nós temos família, trabalho, descanso. Eles são responsabilidade de toda a sociedade”, pontua Miriã.
Quem tiver interesse em adotar ou ajudar com ração, medicamentos, castração ou até mesmo dinheiro, pode entrar em contato direto com a página “Animais vítimas de abandono em Tietê” no Facebook. Para aqueles que têm interesse em ter um bichinho de estimação, Miriã avisa: “é preciso ter em mente que um animal pode viver até 20 anos, ele necessita comer, beber, ir ao veterinário, pode ficar doente e precisa de muito amor e carinho. É essencial que um adotante tenha consciência de tudo isso e seja muito responsável, afinal, ele está lidando e cuidado de outra vida.”, finaliza Miriã.

Especiais
Miriã fala com propriedade a respeito de se responsabilizar por uma vida. Além do alto número de resgates e cuidados com cachorros e gatos, a protetora tem também um cuidado especial com aqueles que apresentam alguma deficiência. Atualmente, ela tem em casa 4 cachorros que precisam de cuidados especiais, duas delas são cegas, uma é surda e o outro é paraplégico, além de uma gata que foi atropelada recentemente e também não tem os movimentos das patinhas traseiras.
O primeiro animalzinho que Miriã adotou com deficiência foi o Lulu. Ela conta que viu na internet que um abrigo na cidade de São Roque havia decretado falência e cerca de 60 cães, mais os gatos que eram atendidos precisavam ser doados ou seriam sacrificados. “Fiquei muito triste com a notícia e decidi fazer algo por eles. Arrecadei um bom dinheiro, comprei ração e medicamentos e fui até lá ajudar. Havia cães sangrando, machucados, os animais paraplégicos estavam com febre, sem os cuidados necessários”, relata.
Dentre os cinco cachorros paraplégicos que estavam no abrigo, todos foram adotados, menos um, o Lulu, e, devido a sua condição, ele seria sacrificado. “Voltei para casa com o coração apertado, não conseguia tirar ele da minha cabeça, conversei com a minha mãe, expliquei a situação e no final de semana seguinte, voltei buscar ele”, relata.
Isso já fazem 6 anos, “Quando resgato esses animais com deficiência, não tenho coragem de doar para ninguém. Apesar de saber que eles podem levar uma vida normal e dão tanto amor quando os outro, ainda assim, tenho medo que não tenham a atenção necessária”, explica.
Outro resgate emocionante que Miriã realizou foi da Pedrita, “ela foi encontrada apenas pele e osso, e o pior, tinha dono. Ela estava tão magra e debilitada que já tinha feridas. Trouxe para casa para poder recuperá-la”, conta a protetora.
Para finalizar a entrevista, Miriã volta a lembrar da seriedade que é você decidir adotar um animalzinho e que deve ser uma decisão muito bem pensada. “Para quem gosta, mas não pode adotar, eu sugiro que visite o canil da cidade, pegue os animais para passear e dê um pouco de atenção e amor. Não custa nada e faz toda a diferença na vida deles. E por fim, para as pessoas não se esquecerem dos animais deficientes e idosos, eles tem a mesma capacidade de fazer você feliz e também merecem uma vida digna”, conclui.

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