J. Hawilla detalha esquema de propina da FIFA em investigação nos EUA

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O empresário brasileiro José Hawilla, fundador da companhia de marketing Traffic Group, testemunhou hoje que participou de um esquema de propinas para conseguir influência com autoridades da FIFA para ganhar direitos comerciais de grandes torneios, numa decisão que ele diz estar arrependido.

"Cometi um erro", disse Hawilla numa investigação em curso nos Estados Unidos sobre a suposta conspiração entre três ex-autoridades esportivas sul-americanas. "Eu cometi um erro e me arrependo muito", completou o empresário de 74 anos que é o mais recente colaborador da investigação e assumiu a posição de testemunha após se declarar culpado na investigação da FIFA.

Hawilla explicou como sua empresa e duas outras companhias se uniram para pagar uma propina de US$ 10 milhões para Jeffrey Webb, estão vice-presidente da FIFA, e o ex-presidente da Concacaf - o órgão que governa o futebol na América do Norte, Central e Caribe - para ajudar a garantir os direitos para a Copa América em 2016. Webb foi considerado culpado em uma acusação de extorsão e aguarda sentença.

O júri em Nova York também ouviu pela primeira vez gravações feitas por Hawilla depois de ele ter sido preso em 2016 e concordado em cooperar com a Agência Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês), usando uma escuta. Uma fita registrou uma reunião com Hugo e Mariano Jinkis, pai e filho que dirigiam a empresa argentina Full Play, onde eles falaram sobre subornar presidentes de várias federações de futebol.

"Eu quero tornar todos os presidentes ricos e coexistir com eles", disse Mariano Jinkis, de acordo com uma transcrição da fita. Quando Hawilla disse aos Jinkis que queria sair do esquema e limpar sua companhia para vendê-la, Mariano disse que não queria sociedade com ninguém que não entendesse que propinas eram negócios como de costume. "Sempre haverá propina", disse. "Haverá propina para sempre".

Hugo e Mariano Jinkis estão entre as mais de 40 pessoas e entidades acusadas na investigação da FIFA. No ano passado, um juiz argentino negou um pedido de extradição dos dois pelos Estados Unidos, citando o fato de eles ainda não terem sido processados por lá.

Em julgamento na corte federal do Brooklyn estão Angel Napout, ex-presidente da federação paraguaia de futebol; Manuel Burga, ex-chefe da federação peruana de futebol; e José Maria Marin, ex-presidente da Federação Brasileira de Futebol. Todos de disseram inocentes das acusações. Fonte: Associated Press.

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