Com exterior, Bolsa realiza lucros e fecha em baixa de 1,19%

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Sem notícias positivas que justificassem novo ganho após quatro consecutivos, o Ibovespa se inclinou a uma moderada realização de lucros nesta terça-feira em que o presidente Jair Bolsonaro informou ter contraído o novo coronavírus. Com Nova York bem perto das mínimas ao fim da sessão, o Ibovespa fechou em baixa de 1,19%, aos 97.761,04 pontos, tendo oscilado entre mínima de 97.272,02 e máxima de 98.938,00 pontos. Nestas duas primeiras sessões da semana, acumula ganho de 1,03% e, no mês, segue em alta de 2,85%, ainda cedendo 15,46% no ano. O giro financeiro foi de R$ 25,4 bilhões nesta terça-feira.

O dia foi de ajuste negativo a partir do exterior, com perdas que se espraiaram desde a Ásia para Europa e EUA, em movimento reforçado pela manhã por projeção oficial ainda mais negativa para contração econômica na União Europeia, não neutralizado no meio da tarde por novas promessas de estímulos fiscais pelo presidente americano, Donald Trump, que luta para se aproximar do candidato democrata Joe Biden nas intenções de voto para a eleição de novembro.

Por sua vez, Randal Quarles, integrante do board do Federal Reserve, disse que o BC dos EUA não tem "nada no forno" no momento, ao ser questionado sobre possíveis novas medidas para mitigar os impactos econômicos da pandemia de covid-19.

Na B3, as ações de bancos, que vinham em recuperação este mês, tiveram desempenho abaixo do Ibovespa nesta terça-feira, em realização mais forte do que o índice, entre os papéis com pior desempenho na sessão. Assim, Itaú Unibanco fechou em baixa de 4,90%, Bradesco ON, de 4,10%, e Banco do Brasil, de 4,01%. Dia negativo também para as ações de commodities, com Petrobras ON em baixa de 1,68% e Vale ON, de 0,35%. Entre as siderúrgicas, Gerdau PN cedeu 2,35%. Na ponta negativa do Ibovespa, CVC caiu hoje 6,93%, seguida por Itaú e Santander (-4,36%) No lado oposto do índice, Marfrig subiu 7,92%, Magazine Luiza, 3,79%, e Fleury, 3,04%.

"Hoje tivemos o exterior (negativo) e um pouquinho da Covid do Bolsonaro, algo que acaba gerando um pouco de preocupação. Não houve 'triggers' (gatilhos) além destes na sessão", diz o economista-chefe da Nova Futura, Pedro Paulo Silveira, observando que a situação de fundo, econômica, permanece a mesma, com os dados mostrando "algumas coisas piores e outras, melhores". "Para o investidor estrangeiro, que conhece menos Bolsonaro e o Brasil, (a doença) é um fator de cautela (por se tratar de um chefe de Estado)", acrescenta Silveira, lembrando que a situação política e fiscal são fatores que costumam mobilizar os investidores.

Ainda que a confirmação de Bolsonaro para covid-19 não tenha condicionado tanto os preços nesta terça-feira, a notícia teve ampla repercussão, inclusive no exterior. A Bloomberg apontou que "o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que reiteradamente minimizou a ameaça representada pela pandemia de coronavírus enquanto seu país escalava para segundo no mundo com mais casos e mortes, testou positivo para covid-19". O francês Le Monde também enfatizou que Bolsonaro minimizou a doença e que participou de eventos públicos sem usar máscara.

"A sessão foi bem correlacionada ao exterior, com uma realização em dia de agenda relativamente esvaziada, aqui e fora", diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. "Amanhã, pode ser um pouco diferente, na medida em que a agenda lá fora ainda estará tranquila, mas aqui teremos alguns dados que podem orientar o mercado, como as vendas do varejo", acrescenta.

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